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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

ACERVO HISTÓRICO DE STEFAN ZWEIG ATRAI PESQUISADOR ALEMÃO A PETRÓPOLIS

Pesquisa feita em Petrópolis será reproduzida em artigo e livro na Alemanha. Zweig escolheu Petrópolis para se exilar até sua morte, em 1942  | Divulgação
Mais do que a triste lembrança da fraqueza humana que resultou em suicídio, a vida e obra de Stefan Zweig, considerado o best-seller de sua geração, atraem inúmeros seguidores de seu trabalho a Petrópolis – onde se exilou até a morte. Parte desta história está documentada no acervo histórico da Biblioteca Central Municipal Gabriela Mistral, que recebeu nesta semana a visita do escritor alemão Joachim Lottmann. A viagem exclusiva à Cidade Imperial teve como objetivo a pesquisa para o artigo e livro que serão escritos pelo alemão sobre o escritor austríaco, que considerou o Brasil, mesmo que temporariamente, como sua pátria.


“Zweig é o melhor romancista, porque ele foi contra ideologias mais do que todo mundo. Ele ficou doente quando a ideologia política teve tanto poder no mundo. Na opinião dele os ideais políticos eram loucos”, lembrou Joachim, que também é jornalista e além de artigos, já escreveu 32 livros, 11 deles publicados.

No acervo municipal, o escritor apreciou parte da história de Stefan e da esposa Lotte Zweig - que se matou junto com o marido na residência onde moraram em Petrópolis, no Valparaíso, onde hoje funciona a Casa Stefan Zweig. São fotografias, livros pessoais, obras do próprio Zweig - 80 volumes doados pessoalmente pelo escritor - e até mesmo os atestados de óbito do casal, todos originais que integram o acervo histórico da Biblioteca Municipal.

“Nosso acervo é procurado com frequência por pesquisadores e apreciadores da obra de Zweig do mundo todo e durante todo o ano. Eles ficam encantados com esses documentos, inclusive com o livro de assinatura que temos de pessoas ilustres assinado pelo próprio Zweig, que vinha na biblioteca quando ainda era uma casa”, comentou Marisa Gomes, chefe do Acervo Histórico da Biblioteca Central Municipal.

Um apaixonado pela obra do escritor austríaco, Joachim escolheu Petrópolis não apenas como fonte de pesquisa, por sua relevância na história de Zweig, mas também como cenário para escrever o artigo sobre o romancista. O texto será publicado em um jornal alemão já na próxima semana. Já o livro, que também terá a história de Stefan Zweig retratada, com destaque no período em que esteve exilado na Cidade Imperial, deve ser publicado em 2018. Tanto artigo como livro serão as primeiras publicações do alemão sobre a vida e obra de Stefan Zweig.


Pensamentos além do seu tempo
 Stefan Zweig ficou conhecido por ser um pacificador e considerou o Brasil um país do futuro, título dado a uma de suas obras na qual exalta as qualidades da nação que considerou como sua. E foi esse amor pelo Brasil que o escritor depositava sua esperança de um futuro melhor para a humanidade, baseada na hospitalidade e pluralidade da terra e do povo tupiniquim que o acolheu. Mas diante dos acontecimentos na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial, que iam contra seus pensamentos e os de sua esposa, o casal se rendeu à tristeza até o dia em que cometeu suicídio, deixando apenas uma carta.

“É incrível a obra dele. Zweig tem importância para mim e para o mundo, pois suas ideias eram e são tão atuais quanto os dias de hoje. Basta vermos o que está acontecendo no mundo hoje”, observou Joachim, que durante a visita estava acompanhado da esposa, a jornalista austríaca Christa Zöchling.

Em Petrópolis, além do acervo histórico da Biblioteca, o casal também visitou a Casa Stefan Zweig, importante museu que é um memorial dedicado aos refugiados da Europa nazista durante os anos 1930 e 1940. O espaço reúne alguns dos textos, livros e objetos pessoais do escritor austríaco, um dos mais lidos da Europa, incluindo a reprodução da carta deixada pelo casal antes de cometer o suicídio.

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